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Foto divulgação google imagens

Enquanto o prefeito de Itapecuru Mirim, Júnior Marreca (PV), pleiteia a presidência da Federação dos Municípios do Maranhão (Famem), a cidade sofre com a falta de infra-estrutura, miséria, um possível surto de dengue e o pior, mortes causadas pela doença, por conta da deficiência nas atividades do combate ao mosquito Aedes aegypti.

Visitei o município na última terça-feira para mostrar o problema da dengue naquela região e me deparei com uma cidade suja, má estruturada e sem saneamento básico em alguns bairros. A situação das famílias daquela cidade é alarmante. Segundo a própria população, a maquiagem é visível apenas no Centro, um dos principais pontos turísticos no período de Carnaval. “O resto é isso aqui que você vê. Bagunça, doença, lixo e falta de dignidade para a população”, disse revoltado, Benilton Sousa Mendes, pai de Juliane Lopes Nunes, de apenas 9 anos de idade, que morreu no último sábado, vítima de dengue hemorrágica segundo a família.

Benilton, pai de Juliane, reclama de descaso com a cidade

Itapecuru, segundo a Secretaria de Estado da Saúde (SES), é o município que detém o maior número de notificações da doença. Até o momento foram notificados 216 casos suspeitos. Segundo a população, pelo menos seis pessoas já morreram vítimas de dengue hemorrágica. A SES confirma apenas uma morte. “Trabalho aqui há 18 anos e nunca havia visto um período com tanta incidência de dengue. São mais de 100 casos suspeitos atendidos diariamente aqui no hospital. A situação é atípica”, disse o diretor geral do Hospital Regional Adélia Matos e ex-prefeito da cidade, Miguel Lauand Fonseca.

 Enquanto Júnior Marreca está praticamente confirmado com o novo presidente da Famem, depois de articulações e interesses políticos, Itapecuru sofre, cai e morre…

Foto de Benilton feita por Douglas Junior

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Pneus velhos podem servir de foco para a larva do mosquito / Foto: Flora Dolores

São Luís registrou um aumento de 1.385% no número de casos de dengue no mês de janeiro deste ano, se comparado com o mesmo período do ano passado. De acordo com a Superintendência da Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado da Saúde (SES), a capital registrou 104 notificações, contra apenas sete em 2010. No Maranhão, as estatísticas também são alarmantes. Enquanto em 2010 o número de notificações foi de 150, este ano os registros subiram para 712, o que significa um aumento da ordem de 374%.

Os dados preocupam a Vigilância Sanitária, que prevê 2011 com índices da doença mais altos do que nos anos anteriores. De acordo com a superintendência do órgão, isso se dá pela ineficiência no combate às larvas do mosquito Aedes aegypti em todo o estado e pela manifestação do vírus tipo 1 da doença, que há vários anos não se apresentava no Maranhão, atingindo centenas de pessoas que não ainda possuem imunidade.

As estatísticas da vigilância mostram que no ano passado, o município que apresentou o maior quantitativo de notificações em todo o Maranhão foi Barreirinhas, com apenas 38 casos. Em seguida aparecem os municípios de Caxias, com oito casos, Chapadinha, que também teve oito registros e São Luís, com sete.

Já em 2011, o município com maior número de notificações foi Itapecuru, com 129 registros da doença. Em seguida São Luís aparece com 104 notificações, à frente de Zé Doca, com 91 casos e Açailândia, com o total de 83 registros. Municípios como Viana, Timon e Codó ainda não apresentaram notificações de casos de dengue em 2011.

Para o superintendente da Vigilância Sanitária, Henrique Jorge dos Santos, o elevado número de casos notificados na capital e no interior do estado, é conseqüência da falta de uma atenção maior por parte do Poder Público para com o trabalho prevenção contra a dengue. “Esse quantitativo mostra que o município não fez o dever de casa, o trabalho de campo, que é a visitação de residência em residência. O serviço é simples e barato, por tanto, não há outra justificativa para esse saldo”, disse.

Ele falou que em relação a dengue, não há vacinas ou medicamentos disponíveis, como medidas de intervenção contra a doença, sendo a realização da prevenção a principal determinação da Organização Mundial da Saúde (OMS). “Esse serviço não é levado a sério pelo município, falta comprometimento. A categoria de agentes de endemias precisa ser valorizada”, enfatizou.


Após denúncia veiculada em O Estado , a Prefeitura de São Luís enviou o Plano de Contingência da Dengue ao Ministério da Saúde. A reportagem foi veiculada na semana sexta-feira da semana passada.
O blog entrou em contato com o Ministério da Saúde, que confirmou o envio do documento pela Prefeitura, na última terça-feira. O Plano de Contingência é um monitoramento coordenado pelo município, que integra ações de vigilância, assistência e mobilização em saúde e trata da incidência de casos e índices de infestação pelo mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença. Sem o recebimento do documento, o Ministério da Saúde não tem como acompanhar e monitorar as ações preventivas contra a dengue, o que impossibilita uma avaliação mais precisa sobre a necessidade de intensificação do combate ao mosquito. Esse acompanhamento, segundo o órgão, deve anteceder o registro de casos graves [com complicações] e óbitos.
Apesar de a Prefeitura ter enviado o plano, há um agravante: Os agentes de endemias da capital estão em greve por melhorias salariais e nas condições de trabalho. Foram os agentes que denunciaram também ao blog, que o inseticida que combate o mosquito Aedes aegypti foi entregue em dezembro do ano passado, com a validade vencida. Ou seja, a crise continua, e o Ministério da Saúde alerta que a capital está entre as cidades com risco muito alto de uma epidemia em 2011.


Por Ronaldo Rocha – publicada em O Estado 

São Luís é uma das três capitais do país com risco muito alto de epidemia de dengue que ainda não enviou o Plano de Contingência de Dengue ao Ministério da Saúde. O Plano de Contingência é um monitoramento coordenado pelo município, que integra ações de vigilância, assistência e mobilização em saúde e trata da incidência de casos e índices de infestação pelo mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença. Sem o recebimento do documento, o Ministério da Saúde não tem como acompanhar e monitorar as ações preventivas contra a dengue, o que impossibilita uma avaliação mais precisa sobre a necessidade de intensificação do combate ao mosquito. Esse acompanhamento, segundo o órgão, deve anteceder o registro de casos graves [com complicações] e óbitos.

Agentes trabalham em combate à dengue em Ssão Luís - Foto: Douglas Junior

A observação em relação ao não envio do Plano de Contingência de São Luís foi feita pelo Governo Federal. A capital maranhense está entre os 70 municípios prioritários com risco ‘muito alto’, ‘alto’ e ‘moderado’ de epidemia de dengue este ano. Esses 70 municípios foram definidos com a aplicação do critério de densidade populacional, previsto na ferramenta Risco Dengue – que identificou os 16 estados com risco muito alto de epidemia. O indicador de população foi utilizado nas 178 cidades com alto índice de infestação pelo mosquito transmissor, apontadas pelo Levantamento do Índice Rápido de Infestação pelo Aedes aegypti (LIRAa), divulgado em dezembro de 2010.

O Plano de Contingência foi criado pelo Governo Federal, a partir de diretrizes para o combate à dengue. O mapa da doença leva em consideração seis critérios básicos, dos quais quatro são do setor incidência atual de casos; índices de infestação pelo mosquito e sorotipos em circulação. No critério ambiental é verificada a cobertura de abastecimento de água e coleta de lixo. No quesito demográfico, a densidade populacional.

 

Incidência – Entre os meses de janeiro e novembro do ano passado, São Luís registrou um aumento de mais de 700% em casos de dengue se comparado com 2009. O percentual elevado representou quase a metade dos casos registrados no mesmo período em todo o estado.

Ao todo, a capital teve 2.745 notificações de casos de dengue até novembro de 2010. De janeiro a dezembro do ano anterior (2009) haviam sido registrados apenas 340 casos na cidade. O levantamento, na época, havia sido feito pela Superintendência de Epidemiologia e Controle de Doenças da Secretaria Estadual da Saúde (SES).

 Os municípios que integram toda a região metropolitana, Raposa, Paço do Lumiar, São José de Ribamar e São Luís somam a regional que apresentou o maior índice de casos da doença no ano passado. Foram 3.027 casos até novembro em uma população de 1.288.384 pessoas. Um caso a cada 425 habitantes. A incidência foi de 234,9 casos a cada 100 mil habitantes.

A localidade com maior número de casos na capital foi o bairro do São Francisco. Foram 237 casos em 2010. Em seguida aparece o bairro Coroadinho com 142 casos, Vila Embratel com 107 registros, Cidade Operária com 85 casos e Turu, que registrou 79 casos da doença até o período acima citado.

Denúncia – Na semana passada, O Estado veiculou reportagem em que os agentes de controle de endemia denunciaram que o inseticida usado por agentes de controle de endemias na prevenção e combate à dengue em São Luís foi entregue pela Prefeitura com a validade vencida. O produto que tem como ingrediente ativo a Alfacipermetrina, havia sido destinado aos agentes no mês de dezembro do ano passado, mas com a validade expirada em setembro de 2010. O pesticida é recomendado para o extermínio de insetos.

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 De acordo com o Ministério da Saúde, o Plano de Contingência não tem por objetivo, impedir uma epidemia – já que isto não depende apenas do setor de saúde. Seu foco é diminuir a letalidade da doença. O Ministério da Saúde afirmou que tem feito um enorme esforço para prestar assessoria técnica e fazer treinamentos e capacitações em todos os estados brasileiros. Porém, disse que a medida ainda está em fase de implementação.


Ronaldo Rocha – Publicada hoje em O Estado

Agente de controle de endemias mostra produto com validade vencida

 O inseticida usado por agentes de controle de endemias na prevenção e combate à dengue em São Luís foi entregue pela Prefeitura com a validade vencida. O produto que tem como ingrediente ativo a Alfacipermetrina, havia sido foi destinado aos agentes no mês de dezembro do ano passado, mas com a validade expirada em setembro de 2010. O pesticida, recomendado para o extermínio de insetos, não tem apresentado eficácia em seus resultados por causa do problema, afirmaram os agentes.

A denúncia foi feita ontem pela categoria, durante reunião com representantes do setor jurídico do Sindicato dos Trabalhadores do Controle de Endemias do Estado do Maranhão (Sintracema), que tratou da possibilidade de decretação de greve em todo o estado a partir do próximo dia 22, quando será realizada uma assembléia geral na capital para a elaboração da pauta de reivindicações. Mais de 100 agentes participaram do encontro e apoiaram a realização do movimento grevista.

O advogado Marcos Vinicius Azevedo de Andrade, que defende os interesses da categoria, disse que a falta de condições adequadas de trabalho oferecidas aos agentes, aliada a inexistência de equipamentos de segurança e à ineficácia do inseticida disponibilizado pelo Poder Público, aumentam o risco de epidemia de dengue e de malária na capital. “A população precisa saber que os agentes não são os verdadeiros culpados pelo elevado número de dengue em São Luís. O problema está nas condições precárias em que eles atuam e na falta de estrutura adequada”, contou.

Um agente que preferiu não se identificar, afirmou que o inseticida, colocado em máquinas de uso manual para a borrifação intra-domiciliar de inseticida, foi disponibilizados à categoria já com a validade vencida. “Verificamos que o veneno não estava surtindo efeito, pois o mosquito continuava a sobreviver nos locais onde a gente colocava o veneno. O pó que nós depositamos em reservatórios de água, também estava fora de validade e não matava as larvas”, completou.

O inseticida Alfacipermetrina Fersol 200 SC é entregue aos agentes de controle de endemias em um frasco plástico dosador contendo 1 litro do produto. Em sua formulação consta a suspensão concentrada sem solventes aromáticos. Apresenta grande efeito de choque sobre a praga alvo e prolongado efeito residual sobre a superfície aplicada, devido sua formulação. 

Advogado Marcos Vinicius mostra mascara inadequada para atividade dos agentes

Segundo Marcos Vinicius, por causa da falta de itens essenciais de segurança, o agente tem contato direto com o inseticida, o que tem provocado cegueira, problemas nos pulmões e na pele dos agentes de endemias. “Temos documentos, receituários médicos que comprovam isso. Há pelo menos 15 agentes com problemas de cegueira”, garantiu.

Nota – A assessoria de comunicação da Prefeitura de São Luís, afirmou que o processo de compra de materiais para o Programa Municipal de Combate a Dengue já foi licitado. Em nota, afirma que o inseticida utilizado é distribuído pelo Governo do Estado, afirmando que o material em circulação no momento tem validade até setembro de 2011. A Secretaria de Saúde do Estado (SES), no entanto, contestou a informação da Prefeitura, afirmando que o inseticida – enviado pelo Ministério da Saúde – é distribuído ao município de São Luís dentro do prazo de validade. Afirmou ainda que pode ter havido demora na entrega do produto aos agentes, expirando assim a data limite para o uso.

  Greve pode ser decretada em assembléia geral 

Liderados pelo Sintracema, os agentes de controle de endemias agendaram para o dia 22 uma assembléia geral da categoria onde será discutida a possibilidade de greve em todo o estado, apesar da iminência de uma epidemia de dengue no estado, como alertou o Ministério da Saúde. O Ministério Público e o Ministério do Trabalho serão notificados a respeito do evento.

Inseticida em pó também está fora do prazo de validade

O objetivo dos agentes é dar início a greve 72 horas depois da realização da assembléia geral, com manifestações públicas na capital. A categoria exige melhorias nas condições de trabalho; fornecimento de equipamento de proteção individual; maior divulgação e condições de trabalho para combate da malária em São Luís; melhoria salarial; ajustamento de data de pagamento mensal; repasse do valor de vale transporte, valorização, gratificações por graduação, entre outras reivindicações. “Todas essas questões serão trabalhadas na assembléia. Depois, daremos início à greve”, garantiu o advogado.

A categoria pedirá explicações ao município de São Luís sobre o repasse de verbas federais que deveriam ter sido direcionadas aos agentes de endemias. “Os agentes têm direito a 12% do repasse do SUS (Sistema Único de Saúde), mas não recebem”, disse. “Não há fardamento nem bolsas para trabalho. Os últimos recebidos pela categoria foram entregues pela governadora Roseana Sarney”, completou o advogado.

 Dengue – O Ministério da Saúde informou que o Maranhão é um dos estados com risco muito alto de uma epidemia de dengue. Em 2010, ocorreram 6.386 casos no Maranhão, ou seja, houve um acréscimo de 2.446 contaminações em comparação a 2009, quando foram registrados 3.840 casos. O número de mortes por causa da doença subiu de três, em 2009, para quatro óbitos, no ano passado. Já os casos graves, que em 2009 foram contabilizados em 50, subiram para 185, em 2010.

Em São Luís, os números são ainda mais alarmantes. No ano passado, 2.783 casos foram registrados contra 344 em 2009. O acréscimo foi de 2.439 contaminações. Os casos graves passaram de 10 para 98 e as mortes provocadas pela dengue subiram de um para três óbitos, comparando-se os dois anos. A capital maranhense foi responsável pelo aumento de 97% dos casos de dengue no Maranhão.

Fotos: Biman Prado / O Estado do Maranhão

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O inseticida Alfacipermetrina age por contato e ingestão, atuando nos canais de sódio da membrana de axônios, diminuindo e retardando a condutância de sódio para o interior da célula e suprimindo o fluxo de potássio. O pesticida é indicado contra baratas, moscas e mosquitos e é destinado à aplicação em residências, escolas, indústrias, edifícios comerciais, instalações rurais, entre outras.